Acho que só agora é que comecei a acreditar ou a aceitar que já não estás aqui. Até agora tem sido uma guerra inexplicável entre o aceitar que te foste ou não embora. Não consigo explicar a ninguém o que sinto. Nem a mim mesma. Estou perdida sentimentalmente. Estou perdida sem nada nem ninguém aqui. Acredito de forma breve que te foste embora mas não consigo aceitar o facto de não te poder voltar a ver. Estou revoltada. Não sei o que é que me apetece mais neste momento; se é ficar assim revoltada, como estou, ou se é desaparecer para sempre, como tu fizeste. Sinto água a inundar todos os cantos dos meus olhos. Tenho um nó quente e encarnado na garganta. Não me atrevo a falar sobre isto ou sobre ti a ninguém. Não me parece que seja medo. Apenas não me apetece encarar a maneira como as pessoas lidam com o assunto nem a reacção delas. Fizeste-me olhar para a vida com medo e revolução. Para que construir tanto e passar por tanta coisa que não nos agrada quando pode acabar tudo numa questão de meses, semanas, dias, segundos ? Não entendo. Para que amar uma pessoa para depois a deixarmos sozinha ? Isso não é amar. Contudo por ti o que eu estou a sentir não é ódio. Nada disso. Não percebo e quero perceber. Ninguém me consegue explicar.
Tenho saudades de quando os pais iam para fora e tu vinhas cá para casa. Íamos sempre ao Mac e de seguida ao Doce Mania. Comias sempre um Big Mac, sempre. Vou cumprir a promessa de prová-lo, apenas ainda não tive coragem para o fazer. Cada vez me parece maior. No Doce Mania era a risada. Davas-nos dois euros a cada e nós levávamos mais dez. A hora de ir para a cama era a seguir aos patinhos, às 21h30 mas quando cá estavas ficávamos a ver as novelas que a mãe não nos deixava ver. À noite davas-me um beijinho interminável antes de eu ir para a cama e de seguida um à Mananida. Dormiamos as três e a Mananês dormia no seu quarto.
Sem ti aqui sinto-me nua. Criaste um vazio inconsolável dentro de mim. Agora restam-nos as memórias, é tudo o que temos.
Acabou, boa sorte.
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