domingo, 20 de dezembro de 2009

Respirar

Peço-te agora que me deixes respirar. A estrada é para ser seguida então decidi que vou seguir a minha. Pode não ser bem feita e ter lombas desiguais. Pode até ter sinais enganadores e indeterminados contudo vou segui-la. Deixa de me deixares no vazio, deixa-me respirar vida. Tu tens tudo e eu tenho nada. Deixa-me ter alguma coisa, alguma coisa minha e só minha. Não quero nada teu apenas quero respirar. Uma janela no mundo inteiro e é só por ela que olho. Não me vou ver no teu olhar, nunca mais.
Respirar; é isso.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Mafalda Veiga

sábado, 12 de dezembro de 2009

noite a devorar o sol

É noite mas eu sinto o sol dentro da minha cabeça. Tenho a cabeça a ferver. Só me apetece ir para o meu paraíso; a praia. É lá que estou bem. É lá que não há nada, só eu. É lá que a brisa do mar me consegue tirar de mim e não deixa que me afunde nos meus pensamentos. Na praia, onde tudo é mais calmo. No mar onde não há ninguém. Nas ondas de esperança e na areia dos desejos. Nas rochas de segredos e pegadas de amor. Nas conchas de amizades, quando por fim, vem a onda da esperança e leva tudo pronta para uma nova esperança e um novo desejo; uma nova história de amor e novas amizades. E assim é; vem a onda e leva tudo. E se calhar é assim que estou bem, com nada. Vazia. Porque só a praia me faz sentir vazia e cheia ao mesmo tempo; e é assim que me quero sentir. Com ou sem sol, de noite ou de dia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

anda, ensina-me a voar

anda, ensina-me a voar. não me digas para eu bater os braços e caminhar pelo céu, não. ensina-me a voar e atingir os meus objectivos. ensina-me a combater os medos. amestra-me a saber que sou melhor por ser verdadeira e que no fim, sou eu que ganho. diz-me que por poder voar, atravesso por cima da multidão e chego a ti. e voar para o teu coração, não ?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

vem por aqui

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio